UMA CRISE REVELADORA




Li certa vez uma frase que dizia assim: “Vemos mais por meio de uma lagrima do que por um telescópio.” Tenho aprendido que uma crise, geralmente, nunca vem sozinha. Sofrimentos e lágrimas costumam se apresentam em sua companhia. Por esta razão uma adversidade tem em si mesma o poder de revelar o mais profundo do nosso ser, o lado obscuro de nossas vidas que poucos conhecem ou virtudes que se desabrocham, ou se manifestam em situações ímpares e extremamente adversas. Quando estamos expostos ao campo das reações, manifestamos muito da nossa personalidade e mostramos quem de fato somos. Crises semelhantes a provocada por esta pandemia que estamos enfrentando, não é diferente. Dentre outras características esta crise tem se mostrado ser muito reveladora. Porque ela nos mostra algumas coisas que devem merecer nossa atenção. Em primeiro lugar, ela mostra a nossa vulnerabilidade, o quanto somos suscetíveis a ação de elementos tão pequenos que chegam ser microscópicos. As poderosas nações do mundo com seus potentes arsenais nucleares renderam as condições impostas pelo vírus. As potentes engrenagens capazes de gerar e fazer riquezas - As grandes corporações industriais, as bolsas de valores, os Parques temáticos, empresas aéreas, o comércio em geral, pararam em várias partes do mundo, obedecendo ao toque de recolher imposto por uma “horda” de vírus, criaturas ínfimas destituídas de célula e constituídas apenas de ácido, visíveis somente pelas lentes de um microscópio. Em segundo lugar, crises como esta que hora enfrentamos revelam o quanto somos egoístas. Se depender de alguns as prateleiras do super mercado ficam vazias, somos capazes de comprar todo um estoque do medicamento essencial a nossa saúde, sem nos preocuparmos se vai ter o suficiente para próximo. Como diz o ditado: Farinha pouca, meu pirão primeiro. Em terceiro lugar uma crise desta proporção revela muito sobre nossa desumanidade. Se alguém tem que morrer que seja o outro. Neste caso alguém pode dizer: mas é o instinto de sobrevivência. Muitas vezes é neste ponto de extrema tensão que revelamos nossos instintos mais perversos. Muitos filhos mostram o estado de abandono em que seus pais se encontram por conta do descaso e da indiferença daqueles. Chegamos a lidar com a morte do semelhante como se fosse somente um número, um dígito matemático. Uma crise também pode extrair e revelar o melhor que há em nós. Crises como esta gerada pelo coronavirus pode mostrar o quanto somos resilientes. Quão bem podemos suportar, adaptar e reagir diante das pressões, do perigo e de nossas próprias limitações. Outras virtudes que costumam brotar em tempos agudos assim é o altruísmo e a solidariedade. No prédio onde moro o interfone tocou e o porteiro me perguntou se precisava de alguma coisa da rua porque uma jovem moradora no prédio se oferecera para fazer compras para o pessoal da terceira idade. Gestos assim que demonstram carinho, respeito e cuidado com os mais velhos foram vistos em muitos lugares nestes dias. Mas a virtude que mais aflora em tempos assim é a fé. É nestes contextos que a fé se fortalece e se torna tão robusta. A fé não é um combustível somente para tempos de crise, mas sem dúvida é nestas horas que ela se mostra tão essencial. Foi esta fé que se mostrou presente na linda confissão do profeta Habacuque, tal como se encontram registradas nas página de seu livro. E quanto a você? Que frutos brotarão em sua vida em termos de palavras, atitudes e ações, durante este tempo de adversidade, de expectativas sombrias, de insegurança e instabilidades? Veja o teor da confissão do profeta Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente” (HC.3.17-19) Por servirmos ao mesmo Deus de Habacuque, esta também pode ser a nossa confissão de fé. Assim cremos.

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