FRACASSO OU EXPERIÊNCIA




Click, é um filme de fantasia em que Adam Richard Sandler no papel de Michael Newman descobre um controle remoto universal que lhe permite controlar sua vida e escolher os momentos que deseja viver. No final ele descobre que a vida sem os momentos difíceis e que às vezes parecem sem graça, perde o sentido.

A vida, de modo geral, mas para não ser tão genérico, o casamento, a profissão e mesmo o ministério nos impõe, de vez em quando, seus dilemas. Em tais circunstâncias, por vezes, nos vemos sozinhos, sem recursos e sem referências. É como se de repente a luz se apagasse ou o chão fugisse de debaixo de nossos pés. E aí perguntamos: e agora Senhor?

A influência da tecnologia em nossa vida diária é tão influente que é capaz de criar uma realidade paralela nos fazendo viver nela e por ela, de forma inconsciente. Por isso, somos levados a pensar, calcular, planejar e agir como se vivêssemos no mundo virtual, lá onde as coisas acontecem num instante, aonde podemos chegar em qualquer lugar num pensamento. E mais, aonde podemos chegar aos fins, ignorando os meios, as falhas, o trabalho, o sacrifício e as lágrimas. Esta falsa realidade nos torna preguiçosos, intolerantes, impacientes ao ponto de alguns chegarem as vias da violência. Nossa realidade “realmente real”, perdoe-me a redundância, é o avesso do que percebemos na realidade virtual. A linha da vida real não é plaina, pelo contrário, é cheia de altos e baixos. Além disso, é repleta de bifurcações que exigem de nós a capacidade de escolher e decidir. O que agrava a inda mais nossa condição real é o fato de sermos responsáveis diretamente por nossas escolhas e nossas decisões, isto é, respondemos por elas. A questão é que não temos como ignorar a realidade da nossa vida. Diante disto temos que escolher se vamos viver no mundo da lua, enterrar a cabeça na terra como avestruz, ou encarar a realidade. Somente a última opção nos dá a chance de experimentar o sabor da vitória e da realização. Mas para isso não basta apoio humano, recursos monetários e mesmo a autoajuda. Como costumam dizer por aí, precisamos mesmo é da ajuda do alto. E quando chegamos ali aonde não há luz e nem chão, perguntamos: E agora, o que faço Senhor? O que para muitos poderia ser prova evidente de falência, fraqueza e inabilidade, para outros é a mais clara demonstração de fé. A experiência do apóstolo Pedro no auge do seu discipulado revela quão nobre é reconhecer nosso fracasso e, ao mesmo tempo reafirmar nossa confiança em Deus ao ponto de lhe pedir socorro. Depois de ouvir o convite de Jesus para vir ao seu encontro andando sobre as águas, Pedro partiu frenético e corajosamente como se estivesse andando sobre uma passarela de concreto, mas de repente tomado de medo começou a afundar. Então gritou: Socorro Senhor! Vexame? Vergonha? Nada disso. Ao invés de se sentir reprovado, envergonhado, Pedro agrega em seu currículo mais uma experiência fora do comum e o gosto de sentir o que jamais homem algum experimentou.

Homens e mulheres de Deus sabem que a vida não é um mar de rosas, não é um grande parque de diversão e uma linda tela gigantesca de LED onde tudo acontece em cores vivas. Por sua formação espiritual, o crente torna-se consciente de que deve manter os pés na realidade da vida sem jamais negá-la, tendo um coração confirmado na Graça de Deus e uma fé inabalável Naquele que disse: “Eis que jamais te deixarei”. É esta estirpe de crente que ousa perguntar: E gora, o que fazer Senhor? Os homens falharam, a ajuda não chegou, o dinheiro esgotou-se, o amigo se foi e encontra partida o desemprego, a velhice e as doenças continuam me assombrando. O Senhor responde: continue a confiar em Mim e a esperar no meu poder e na minha fidelidade.

Nestes tempos marcados pela pandemia do coronavírus vimos muitas coisas assustadoras que nos deixaram perplexos. Não foram poucas as pessoas que chegaram ao limite da fé e da esperança. Muitas viram de perto seus castelos ruírem, seus sonhos dissolverem e suas conquistas evaporarem. Atônitas, perplexas e desnorteadas, suspiraram: E agora, o que fazer? Todavia, nenhuma destas, com certeza, ficaram sem socorro, sem resposta e sem ajuda. Diz a Bíblia: “Deus é socorro bem presente na hora da tribulação”. Deus tem o poder de chamar a existência o que não existe. É por esta razão que chegamos até aqui e vamos seguir de cabeça erguida, firmes e resolutos. Assim cremos!


Bispo Roberto Amaral