500 ANOS DE REFORMA PROTESTANTE, UM TRABALHO INACABADO


Nenhuma reforma é ampla o bastante para esgotar a necessidade de continuar reformando. Esta verdade se aplica a todos os espaços construídos pela habilidade do ser humano, quer sejam eles tangíveis ou não, porque todos são vulneráveis a ação do tempo. Isto ocorre no espaço físico, no espaço social, político, relacional e por aí vai. No ambiente de interação dos seres humanos as coisas tendem a se desgastarem, desbotarem e se tornarem obsoletas. Nos dias de Lutero, portanto, há 500 anos, tanto a religião como os modelos políticos e econômicos haviam esgotado sua capacidade de atender a demanda e as expectativas das pessoas e nesta conta devemos considerar uma das obras-primas mais importantes da mente humana, a teologia. O modelo econômico adotado em substituição a economia imperial, o feudalismo, também já se mostrava ultrapassado. A religião que durante séculos sustentou, serviu e se serviu do império teve o mesmo fim. Todos os modelos elaborados pela genialidade humana tornaram-se ineficazes para combater as invasões bárbaras, a corrupção, as heresias, a fome e as doenças que proliferavam neste tempo por falta de saneamento básico. Devemos nos lembrar que neste período a peste negra dizimou 1/3 da população do continente europeu - A Europa inteira fervia, num caldeirão de diversas etnias insatisfeitas. Neste contexto, o mundo para ao som do martelo de um monge que ousava desafiar o poder vigente, produzindo uma onda tão avassaladora que moveria as estruturas produzindo o que chamamos hoje, Reforma protestante. Movido por um espírito de insatisfação e pelo desejo de mudanças drásticas nos diversos âmbitos da vida em seu tempo, Lutero recusou-se a manter suas idéias confinadas ao mosteiro de seu coração. No dia 31 de outubro de 1517 ele se dirigiu à igreja do Castelo em Wittenberg e pregou ali suas 95 teses. Com este gesto Lutero se alistou ao exército dos reformadores tais como: Savonarola, John Tauler, Wycliffe, John Huss, William Tyndale e outros, para lutar por mudanças efetivas nas estruturas que sustentavam o modelo da vida social, política e religiosa de então. Em pouco tempo a iniciativa de Lutero repercutiu produzindo mudanças nas relações entre estado, religião e pessoas, nos diversos rincões da Europa. Muito destas transformações vigoram até hoje na forma de governo, cidadania e liturgia. Passados 500 anos destes eventos, se formos honestos conosco mesmo, temos que admitir que, como nos dias de Lutero, hoje também precisamos de uma reforma. As estruturas que deviam zelar pelos valores mais importantes da vida moderna se tornaram obsoletas. A família está desprotegida, a fé e a dignidade humana também. A injustiça social, a perda dos valores morais, a depravação sexual, a violência e a corrupção são sinais desta desordem. Neste contexto eu e você podemos ser instrumentos para uma reforma abrangente e eficaz. Tomemos nas mãos o martelo que esmiúça a penha e lancemos mãos à obra.

Bispo Roberto Amara

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